FVS-AM completa 16 anos no combate a surtos, epidemias e pandemia no Amazonas

Foto: Divulgação/FVS-AM

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) completa, nesta quarta-feira (03/06), 16 anos de existência. Criada para combater duas principais epidemias do Amazonas, malária e dengue, a instituição chega ao 16º aniversário enfrentando e combatendo a pandemia de Covid-19 no estado.

A história da FVS-AM inicia, em 2004, quando o Amazonas vivia uma das piores epidemias da história recente do estado, com mais de 200 mil casos de malária e 60 mil de dengue. Instituída pela Lei nº 2.895/2004, a autarquia foi montada depois de ser desmembrada da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam), onde funcionava como um departamento de vigilância em saúde, e passou a ser a primeira fundação de vigilância em saúde do país.

Ao longo do tempo, a equipe contou com três diretores-presidentes: o sanitarista Antônio Evandro Melo de Oliveira (2004-2009), o médico infectologista Bernardino Cláudio Albuquerque (2009-2018) e a atual epidemiologista Rosemary Costa Pinto (2019 até os dias de hoje).

Coordenados por esses líderes, a equipe da FVS-AM enfrentou não somente as epidemias de dengue e malária, mas avançou no enfrentamento de surtos e epidemias das mais diversas doenças que atingiram a população do Amazonas, como outras epidemias de influenza A H1N1, doença de chagas aguda, zika, chikungunya, raiva, sarampo. As patologias foram e são combatidas por uma equipe profissional especializada formada, principalmente, por epidemiologistas, sanitaristas, enfermeiros, biólogos, farmacêuticos bioquímicos, estatísticos, médicos, psicólogos, assistentes sociais, odontólogos e médicos veterinários, próprios ou cedidos pelo Ministério da Saúde ou Fundação Nacional de Saúde (Funasa). As ações contam também com a força de técnicos de patologia, técnicos de enfermagem e agentes de endemias que desenvolvem atividades de vigilância em todo o estado.

A atual diretora-presidente da FVS-AM, Rosemary Costa Pinto, também fez parte do seleto grupo de fundadores do órgão. Ela lembra que a instituição foi concebida para quebrar paradigmas da saúde e essa é a principal marca até hoje. “As ações exitosas de combate aos agravos e doenças e controle de surtos, epidemias e de situações inusitadas proporcionaram à FVS-AM o reconhecimento nacional, como referência para vigilância em saúde do Amazonas. O modelo é pioneiro no país e reuniu, inicialmente, as quatro vigilâncias em saúde (epidemiológica, sanitária, ambiental e laboratorial), enquanto, nos demais estados brasileiros, o trabalho é desenvolvido dentro da hierarquia das secretarias estaduais de saúde”, explica.

Em 2020, a FVS-AM passa a responder também pela quinta área da vigilância, a de vigilância de saúde do trabalhador, com a incorporação do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador do Amazonas (CEREST-AM). Além disso, a fundação também atua com ações de educação em saúde, sistemas de informações em saúde, análise de informações, entomologia, controle de infecções em serviços de saúde, segurança do paciente, além da integração das ações de vigilância com as ações assistenciais.

Rosemary avalia que as atividades pontuais de enfrentamento às principais endemias foram, então, dando espaço para ações de coordenação e vigilância contínuas, dando à FVS-AM um caráter de liderança e não somente, cumpridor de atividades pontuais na saúde do estado. “A instituição cada vez mais foi se especializando e passou a coordenar suporte técnico aos municípios de todo o Amazonas, nos principais desafios com base nas análises epidemiológicas de dados obtidos em sistemas de informação interligados com as secretarias municipais de saúde e com o Ministério da Saúde”, aponta.

A ação estratégica confere à FVS-AM a posição de referência em análise da situação dos principais indicadores de saúde do Amazonas. O órgão integra o Sistema Nacional de Vigilância em Saúde, coordenado pela Secretaria Nacional de Vigilância em Saúde e, de forma planejada, é responsável pela coordenação, capacitação, monitoramento e supervisão para constante aperfeiçoamento técnico e de processos junto aos municípios, com a finalidade de traçar estratégias aprimoradas da vigilância em saúde do estado.

Hoje, a FVS-AM assume uma posição estratégica, identificando, apontando e subsidiando a gestão estadual, a Secretaria de Estado da Saúde e as secretarias municipais de saúde sobre os principais desafios na saúde do estado. Além disso, atua na avaliação dos riscos à saúde da população, apresenta informações em boletins e elabora perfis epidemiológicos que favorecer a tomada de decisões assertivas e o planejamento de ações voltadas à proteção da saúde pública.

Na área de vigilância laboratorial

A FVS-AM, por meio do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-FVS), destaca-se nacionalmente por ser o primeiro e até agora, único Lacen do país a ter, pelo segundo ano consecutivo, a acreditação de qualidade conferida pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), além de ser referência nacional no diagnóstico de malária e tuberculose.

Por meio de seu corpo de pesquisadores, a instituição, em parceria com outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais, dedica-se cada vez mais ao desenvolvimento de pesquisas e inovações aplicadas, que possam contribuir para o aperfeiçoamento de seus processos de trabalho.

Toda essa experiência pode ser observada pela população do Amazonas durante o enfrentamento à pandemia de Covid-19. Combatendo uma nova doença, que sequer tem tratamento padronizado no mundo, a FVS-AM ocupa posição estratégica e de destaque ao monitorar as notificações de casos suspeitos e confirmados, isolamento social e domiciliar, casos recuperados, diariamente, dos 62 municípios do estado.

As análises epidemiológicas realizadas pela Sala de Análise de Situação de Saúde da FVS-AM permitem a produção de informações para o planejamento das ações de enfrentamento ao novo coronavírus (SARS-CoV-2), que causa a doença. O monitoramento diário é apresentado em boletins gerais disponíveis para a população e boletins epidemiológicos de monitoramento da infecção, que subsidiam as tomadas de decisão do Comitê de Crise para o enfrentamento da pandemia de Covid-19 no estado.

O enfrentamento à pandemia permanece, mas, assim como os demais desafios à saúde pública do Amazonas, vai amenizar. E a FVS-AM se manterá de prontidão na busca por melhoria da qualidade de vida da população amazonense por meio da promoção e proteção à saúde, buscando sempre a posição de centro de excelência em vigilância em saúde no cenário nacional com ética, compromisso com a sociedade, inovação, integração e sustentabilidade.


Corpo técnico

Recém-incorporada à instituição, a administradora Jardilene Faraco ingressou na FVS-AM por meio do último concurso público realizado para a autarquia em 2014. Trazendo a bagagem administrativa de outras experiências profissionais, ela aponta que é gratificante trabalhar na vigilância em saúde. “Contribuir para a saúde, a pesquisa, o controle das doenças endêmicas, fazer parte e vestir a camisa da Fundação (de Vigilância em Saúde) é muito prazeroso por tudo que ela representa”, apontou.

Há 14 anos na FVS-AM, o biólogo de formação Elder Figueira ingressou na FVS-AM por meio do primeiro concurso público realizado para a instituição e passou por diferentes cargos, assumindo a Gerência de Doenças de Transmissão Vetorial – Malária e liderando, atualmente, o Departamento de Vigilância Ambiental e Controle de Doenças (DVA). Elder destaca a prevenção à saúde como principal fator gratificante em trabalhar na instituição. “Buscar que as pessoas não adoeçam. Essa é a joia da coroa em trabalhar no serviço público em vigilância em saúde, buscando permitir que as pessoas vivam com saúde e com qualidade”, afirma.

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