Briga por equipamentos do Hospital de Campanha fechado pela prefeitura de Manaus deve tirar Ricardo Nicolau da eleição deste ano

Foto: Danilo Melo/ALEAM


A disputa pelo espólio do Hospital de Campanha, fechado na semana passada pela prefeitura de Manaus, deve tirar o deputado estadual Ricardo Nicolau (PSD) da eleição deste ano. Durante o funcionamento do hospital, Nicolau, que se licenciou da Assembleia Legislativa para dirigir o local, foi apontado como o candidato do prefeito Arthur Virgílio para a sua sucessão. A disputa pelos equipamentos do hospital quebrou a aliança. 

Já na semana passada, o presidente do Grupo Samel, Luís Alberto Nicolau, irmão de Ricardo, prometeu acionar a Justiça para reaver os equipamentos doados pela empresa ao Hospital. Ele acusou a Prefeitura de negar o empréstimo dos aparelhos para atender pacientes em Boa Vista (RR).

“Nós vamos na Justiça pedir de volta porque nós doamos com uma finalidade, que era para tratar o coronavírus. Nós não vamos deixar uma tomografia, que é a mais moderna de Manaus, virar museu, todo o investimento que nós fizemos aqui. Isso foi feito para salvar vidas”, disse Nicolau, em vídeo divulgado nas redes sociais da Samel.

“Nós queríamos fazer empréstimos de coisas que foram doados pela Samel e pela Transire para Roraima, que não está com condições de atender as pessoas – a Samel vai passar a fazer a gestão em Roraima também de forma gratuita -, e nós estamos sendo impedidos de levar os materiais que não estão sendo utilizados pelo secretário de Saúde”, disse Nicolau.

“A prefeitura nunca colocou os pés aqui dentro do hospital. Os secretários de primeiro escalão nunca entraram dentro de uma UTI. Se eu soltar aqui eles vão se perder”, disse Nicolau.

Em resposta, a Prefeitura de Manaus divulgou nota afirmando que foi surpreendida pela “mobilização de uma rede privada de saúde, juntamente com uma guarnição do Exército Brasileiro, no hospital de campanha municipal, administrado pela Prefeitura, com a intenção de realizar o transporte de equipamentos e insumos, que estavam internalizados na unidade, para Boa Vista (RR), onde um hospital de campanha está sendo montado”.

“Submetido ao princípio da legalidade, o município repudia a ação, vez que a saída de qualquer equipamento, de qualquer órgão público, está necessariamente vinculada a procedimentos administrativos, por meio de ofício, requisição ou algum expediente solicitando esse material. Isto não ocorreu”, diz trecho da nota da Prefeitura de Manaus.

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