Após receber 102% a mais que o Amazonas para o combate à Covid-19, Roraima recorre ao estado vizinho para acolher pacientes





O estado de Roraima recebeu do Governo Federal o equivalente a R$ 108,38 por habitante, para o combate à Covid-19, 102,57% a mais que o Amazonas, cujo montante transferido pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) para a mesma finalidade foi de R$ 53,50 por morador. Com problemas de gestão e com a rede colapsada, a unidade federativa vizinha recorreu ao AM para o tratamento de pacientes graves contaminados pelo novo coronavírus.

Com a menor população do País, RR contabiliza 605.761 habitantes, segundo o SUS Analítico, site que reúne os números da Covid-19 no País. Já o Amazonas, soma 4,09 milhões de moradores.

Até o último domingo, 14, o Estado de Roraima somava 6.874 casos de Covid-19, uma média de 1.135 para cada 100 mil pessoas e com uma letalidade de 2,9%, considerada alta para a realidade local, mas abaixo da média nacional de 5%. A moralidade para cada 100 mil pessoas é de 33. A letalidade calcula o percentual de mortes sobre o número de diagnósticos. Já a mortalidade, é calculada considerando o número de óbitos pela população.


Repasses

Conforme dados do FNS, foram repassados pela União, R$ 65,65 milhões a Roraima para o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Ao Amazonas, as transferências para o combate à Covid-19 somam, até agora, 219 milhões.

Localizado ao extremo Norte do País e com evidente instabilidade na saúde, Roraima teve um secretário de estado exonerado recentemente sob suspeita de fraude em um processo milionário para a compra de ventiladores mecânicos. Além disso, não conseguiu inaugurar o único hospital de campanha montado na capital, Boa Vista, pelo Exército, que tem capacidade para 1,2 mil leitos. A expectativa, após quatro adiamentos, é que a estrutura entre em funcionamento nesta semana, com uma capacidade mínima de aproximadamente 80 leitos.

Hoje, o Estado conta com apenas uma unidade de saúde para o atendimento da população. O Hospital Geral está sobrecarregado e, conforme denúncias recentes, faltam insumos básicos, profissionais e EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). Além disso, pacientes com outras enfermidades dividem espaço com pessoas com suspeita ou diagnóstico de coronavírus, o que demonstra o colapso da rede e facilita a disseminação da doença.

O Estado justifica a situação calamitosa alegando dificuldades logísticas para a aquisição dos itens necessários à saúde. A região é isolada do restante do País por via terrestre e só tem ligação direta no Brasil com o Amazonas, via BR-174.

Ajuda

O Governo do Amazonas está em tratativas com o Governo de Roraima para receber pacientes de Covid-19, nas unidades de saúde de referência de Manaus, vindos do estado vizinho. A ação contará com o apoio do Ministério da Saúde.

O pedido de ajuda foi feito pelo governo vizinho junto ao Ministério da Saúde, que tem intermediado a articulação entre os dois estados, em virtude da superlotação dos hospitais de Roraima.

Com a ampliação do número de leitos para pacientes com coronavírus por parte do Governo do Amazonas e a diminuição da taxa de ocupação nas unidades de saúde, nas últimas semanas, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) e a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) trabalham na elaboração de um dispositivo legal para a oferta desse auxílio.

A secretária de Saúde do Amazonas, Simone Papaiz, destacou que os termos da parceria estão sendo discutidos entre as esferas técnicas e legais das duas unidades federativas.


Comentários