Em plena pandemia, Josué Neto contrata sem licitação advogados por R$ 195 mil


A Assembleia Legislativa do Amazonas anunciou a contratação, sem licitação, de um escritório jurídico de São Paulo por três meses, pelo valor total de R$ 195 mil. De acordo com a deputada estadual Alessandra Campêlo, a decisão de contratar o escritório jurídico partiu do presidente da ALE, Josué Neto (PRTB), que não consultou membros da Mesa Diretora e o plenário. Para a parlamentar, a decisão de Neto prova que “ele está colocando os interesses dele acima dos interesses públicos”.

Isso porque, há um mês, Josué Neto aceitou a tramitação de um processo de impeachment contra o governador Wilson Lima e o vice Carlos Almeida. Para o deputado Saullo Vianna, Josué deveria se declarar suspeito pois é o próximo na linha de sucessão, caso Wilson e Carlos Almeida sejam impedidos, sendo o beneficiário direto da medida. 

“Em defesa do interesse público e em defesa da prerrogativa dos nossos procuradores da Assembleia eu vou entrar na justiça e creio que alguns colegas também, possivelmente, com uma Ação Popular. Estamos apenas definido qual o instrumento jurídico, mas, a princípio, uma Ação Popular contra essa contratação”, avisou Alessandra Campêlo.

Na Justiça, a base do governo pretende argumentar que é desnecessária a despesa de R$ 195 mil em tempos de pandemia, com a consequente queda de arrecadação; que a Casa Legislativa tem uma procuradoria que já presta consultoria aos deputados estaduais; e que no Amazonas há advogados competentes para prestar o serviço contratado.
“O impedimento dele (Josué) está sendo discutido, algo que não foi sequer votado ou decidido no plenário, e ele decide sozinho contratar um advogado. Isso mostra mais uma vez que o presidente está colocando os interesses dele acima dos interesses públicos e que ele, desde o início da pandemia, tem decidido tudo sozinho na Assembleia”, disse Campêlo.

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