Alto número de mortes em Manaus pode se relacionar à falha na cobertura da rede municipal de saúde, aponta Ministério

Alto número de mortes em Manaus pode se relacionar à falha na cobertura da rede municipal de saúde, aponta Ministério

Mais de 42 mil postos de saúde espalhados pelo país são capazes de atender 90% dos casos de coronavírus. Estudos indicam que a grande maioria dos casos de Covid-19 são mais leves e poderiam ser atendidos nesse nível de atenção. A informação é oficial do Ministério da Saúde e corrobora os dados apresentados pelo secretário de Atenção Especializada do Interior, da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), Cassio Roberto Espírito Santo.

Com número de casos do novo coronavírus no interior do Amazonas ultrapassando o da capital nesta semana, os municípios, por outro lado, têm número de óbitos inversamente proporcional. As 58 localidades do interior com casos registrados acumulam 32% de óbitos e menos da metade das mortes registradas em Manaus. Os dados mostram que o comportamento do vírus no interior tende a ter um desfecho melhor que na capital, e a resposta para isso pode estar na boa cobertura de atenção básica.

“A população pode buscar os serviços quando apresentar os sintomas iniciais do vírus, como febre baixa, tosse, dor de garganta e coriza. Para isso, o Ministério da Saúde está reforçando ainda mais a capacidade assistencial da Atenção Primária durante a emergência do coronavírus”, afirmou o Ministério da Saúde, em nota.

No interior do Amazonas, essa cobertura é próxima de 90% da população. Já na capital, a cobertura é de 51,5%. É na atenção básica que é feito o acompanhamento e controle de diabetes, hipertensão e outras comorbidades que levam pacientes de Covid-19 ao óbito.

“Com boa cobertura de atenção básica, os municípios conseguem controlar melhor, investigar mais e notificar mais os casos e, assim, ter um melhor resultado no acompanhamento da população”, afirmou Cassio Roberto.

Na quinta-feira (21), o secretário municipal de Saúde de Manaus, Marcelo Magaldi, negou a associação de índices de cobertura da Atenção Básica ao quantitativo de óbitos por Covid-19 ocorridos na capital. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) ressaltou ainda que entre os anos de 2013 e 2019, houve oscilações na cobertura da Atenção Primária, em decorrência de fatores que independeram da gestão.

“Vale lembrar que a cobertura apresentou um declínio porque o governo federal, desde janeiro de 2019, não preencheu as vagas de Manaus do Programa Mais Médicos para o Brasil. Apenas em abril de 2020, com o aumento da pandemia, autorizou novo edital pra Manaus”, lembrou o secretário.

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