Aliados tentam emplacar volta de Amazonino para a prefeitura e esbarram em escândalos

Aliados tentam emplacar volta de Amazonino para a prefeitura e esbarram em escândalos




O nome do ex-prefeito de Manaus, ex-governador do Amazonas e ex-senador Amazonino Mendes voltou a circular no meio político após o vazamento de fotos de encontros dele com ex-assessores às vésperas do processo eleitoral. Aliados tentam emplacar uma eventual volta de Amazonino à prefeitura de Manaus.

Entre 2017 e 2018, no último mandato de Amazonino como governador do Amazonas, ele realizou 535 dispensas de licitações, conforme reportagem publicada no jornal Amazonas em Tempo (https://d.emtempo.com.br/politica-amazonas/115398/escandalos-marcam-gestoes-de-amazonino-mendes). A média era de 1,7 processos sem certame licitatório por dia. Em julho de 2018, quando o escândalo veio à tona, o governo Amazonino realizou mais 60 novas licitações. No total, essas dispensas movimentarão quase R$ 500 milhões de dinheiro público.

Histórico de escândalos
Entre 2009 e 2012, na última gestão dele na Prefeitura de Manaus, a empresa Consladel foi contratada para prestar serviços de instalação e manutenção de radares, construção de estações e paradas de ônibus e outras intervenções no trânsito de Manaus. O contrato previa pagamento de R$ 98 milhões. Um ano antes, a Consladel havia, oficialmente, doado R$ 75 mil a campanha eleitoral de Amazonino, conforme demonstra outra reportagem publicada pelo Em Tempo.

Na época, o contrato foi visto pelo Tribunal de Contas do Estado como fruto da chamada “licitação-alfaiate”, aquela feita sob medida para ter um determinado vencedor. Nota técnica do TCE apontou que o edital tinha vários itens restritivos à concorrência.

Escândalos como governador
A terceira gestão de Amazonino Mendes no governo do Estado (1999-2002) foi marcada pela construção de uma mansão cinematográfica de 2,5 mil metros quadrados às margens do rio Tarumã, e que foi denunciada como prova de enriquecimento ilícito pelo então deputado estadual Mário Frota. O casarão foi avaliado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM) em aproximadamente R$ 1,5 milhões (aproximadamente R$ 4,3 milhões em valores atualizados).

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), foro apropriado para julgar governadores, determinou que fosse feita uma avaliação judicial do imóvel, que não constava na declaração de renda de Amazonino apresentada para a eleição de 1998, quando ele conquistou a reeleição. Ainda naquele ano a imprensa local informou que Amazonino deixaria a casa, considerada por arquitetos como a mais luxuosa de Manaus à época, porque estava irritado com o fato dela estar na rota dos aviões que pousavam no aeroporto Internacional Eduardo Gomes.

Na virada do segundo para o terceiro governo ocorreu o caso mais emblemático de ligação de Amazonino com empresários. Tudo começou em 1997 quando Fernando Franco de Sá Bonfim, dono da empreiteira Econcel, afirmou em inquérito aberto na Polícia Federal que era “testa-de-ferro” de Amazonino, ou seja, que o político era o verdadeiro dono do empreendimento.

A empresa conseguiu várias obras públicas na segunda e na terceira gestão de Amazonino (1995-1998 e 1999-2002), sendo a principal delas a reforma do estádio Vivaldo Lima. O caso foi para a alçada do Ministério Público Federal (MPF), que denunciou Amazonino e Bonfim ao STJ. Na corte especial do STJ foi instaurado inquérito para apurar o envolvimento dele em crimes previstos na lei de licitações e na de improbidade administrativa.

De acordo com os autos, o empresário confirmou, em depoimento prestado à PF em 19 de novembro de 1997, a participação de Amazonino na empresa e relatou em detalhes seu envolvimento com a obra do estádio. Ainda segundo o processo, o empresário informa que assumiu a Econcel em abril de 1995, com a ajuda do governador.

O segundo governo (1995-1998) também ficou marcado pelo escândalo da merenda escolar, que estourou na Secretaria de Educação e a compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição. No caso da merenda, em 1995, o Ministério Público investigou a compra de mais de 200 toneladas de picadinho de peixe para ser servido aos estudantes da rede estadual, mas o produto não chegou às escolas. “Subproduto” deste escândalo é o apelido de “Zé Merenda” colocado no então titular da Seduc, o ex-governador José Melo.

A suposta participação de Amazonino Mendes na aprovação da emenda da reeleição em 1997 se deu no escândalo da compra dos votos de cinco deputados do Acre, que também envolveu o então governador acreano Orleir Camelli, cuja construtora, posteriormente, ganhou licitações para pavimentar trechos da BR-174 (Manaus-Boa Vista), obra feita pelo governo do Amazonas com verbas federais.

Em conversa gravada na época, o deputado Ronivon Santiago diz que ele e os deputados João Maia, Zila Bezerra e Osmir Lima, todos do então PFL de Amazonino, e mais Chicão Brígido (PMDB) receberam R$ 200 mil (quase R$ 1 milhão em valores atualizados) para votar em favor da aprovação da emenda da reeleição em 28 de janeiro de 1997, apresentada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Na eleição do ano seguinte, FHC e Amazonino foram reeleitos. Ronivon Santiago e João Maia renunciaram aos mandatos.

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