Mortalidade pós-cirúrgica entre cardiopatas no Amazonas está abaixo da média nacional, explica especialista




A média de mortalidade pós-cirúrgica entre cardiopatas no Amazonas é inferior à nacional, segundo o governador Wilson Lima (PSC), ficando em 12%, enquanto no Brasil, é de 20%.

Em coletiva à imprensa, na manhã desta sexta-feira, 10, Lima falou sobre a morte do bebê de três meses, ocorrida na última quinta-feira, 19, na Fundação Hospital Francisca Mendes, em Manaus, cuja gestão é compartilhada entre a Secretaria de Estado da Saúde (Susam) e a Fundação de Apoio Institucional Rio Solimões (Unisol).

Ele e o diretor-técnico da unidade de saúde, Dr Mariano Brasil Terrazas, explicaram que tratava-se de uma criança com síndrome de Down e que a condição vem acompanhada de maior prevalência quando se trata de cardiopatias graves.

De acordo com o diretor, o bebê não foi negligenciado. Ele dispunha de má formação em duas válvulas cardíacas e morreu por uma coagulação pulmonar pós-cirúrgica, mesmo o procedimento de correção tendo sido bem-sucedido.

“Existia uma mistura do sangue venoso com o arterial. O bebê tinha três quilos e estava abaixo do peso. Ele foi preparado para ter condições de passar pelo procedimento. Esse trabalho é delicado, feito não só por cardiologistas pediátricos, mas por vários profissionais”, destacou o médico. Só após ganhar peso, a criança foi submetida à cirurgia.

O procedimento corretivo, que pode durar até quatro horas, dependia de circulação artificial extracorpórea. “Um óbito em uma criança dessas não é desejado, mas é uma possibilidade. A criança pode não ter, organicamente, condições de agüentar. Ela foi operada, foi corrigida a cardiopatia e ela teve uma coagulopatia, decorrente de uma circulação extracorpórea prolongada, provavelmente, e teve uma hemorragia pulmonar que levou ao óbito. Os maiores recursos foram empregados no tratamento dessa criança. Ela não ficou sem assistência especializada”, assegurou.

A Fundação Francisca Mendes é um dos dez hospitais brasileiros a realizar esse tipo de procedimento para o tratamento de cardiopatias complexas de alta complexidade.

O governador Wilson Lima destacou algumas medidas adotadas para reduzir a fila de espera por procedimentos e cirurgias na unidade de saúde, tais como a assinatura de acordos com unidades de referência em outros estados, para dar encaminhamento a parte dos pacientes do Amazonas, via TFD (Tratamento Fora de Domicílio); a retomada do funcionamento de duas máquinas de hemodinâmica; a compra de ecocardiogramas; a reestruturação da equipe de Recursos Humanos; a formulação de um plano de metas que contemple melhorias em equipamentos e ampliação de cirurgias, entre outros.

Ele também assegurou que a prorrogação, por seis meses, do contrato com a Unisol, faz parte de um processo de transição, para a adoção de um novo modelo de gestão no hospital, que é o único do Norte referenciado para o tratamento de doenças cardíacas.

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